terça-feira, 16 de agosto de 2011

Erotização infantil na pauta


Essa semana o tema da erotização infantil voltou à tona com intensidade devido a dois ensaios fotográficos franceses. Não, não é no Brasil e eu que há dois posts atrás reclamava da legislação brasileira no que diz respeito à publicidade, reconheço que o buraco é bem mais embaixo.

Um dos ensaios, da Vogue francesa, traz a mini top-model (!) Thylane Blondeau em poses assumidamente eróticas, com roupas não condizentes com a sua idade e com maquiagem pesada. Não se trata de uma brincadeira inocente e nem uma reprodução daquilo que as meninas tanto fazem, de se maquiar, colocar o salto e a roupa da mãe e brincarem de gente grande. Pelo contrário. O olhar da câmera é sedutor e pede à pequena modelo que seduza também. Nenhuma menina de 10 anos, ou de mais de 10 anos, tem maturidade para aguentar as consequências do estímulo sexual precoce, isso é fato.



No outro ensaio, da Jours après Lunes, uma marca de lingerie infantil(!), embora a maquiagem seja mais suave, as imagens das meninas remetem às prostistutas do século XIX e às pin-ups. De novo, nada de inocente, o que me faz perguntar mais uma vez: não há limites para a publicidade? Não há limites para esse Minoutauro engolidor de vidas inocentes?



Não perguntarei pela responsabilidade desses pais, visto que se a tivessem não permitiriam suas crianças expostas dessa maneira. Pergunto é pela responsabilidade do Estado na proteção das crianças e na mobilização da sociedade civil no repúdio a atitudes como essas.

Historicamente a infância é uma criação muito recente. Até o século XVII crianças eram vistas como reproduções dos adultos. Assim crianças eram vestidas como mini-adultos, assumiam suas responsabilidades e não encontravam na família o lugar da afeição que as sociedade industriais começaram a lhes reservar. Não era raro, já no século XX, que crianças casassem e até parissem outras crianças (como ainda hoje infelizmente ainda não é raro). 

A criança, ou a infância, como a conhecemos hoje é um produto da ascensão da burguesia e dos estudos psicológicos que se inauguraram a partir dos estudos de Freud. Graças a esses fatores deu-se à criança o seu devido lugar na sociedade, estudou-se seus processos de desenvolvimento, seus limites e potencialidades. Logicamente isso parte de um modelo ideal pois nem todas as crianças têm seus lugares garantidos, seus direitos respeitados. Quando campanhas como essas expõem uma criança, estão expondo a todas. Quando erotizam uma menina ou menino, estão erotizando a todos os meninos e meninas. Campanhas como essas representam não apenas um retrocesso, mas sobretudo um risco a todas as crianças.



Nisso, que papel nos cabe como pais, mães, cidadãos? Denunciar, boicotar, escrever nossos textos de repúdio, fortalecer nossas redes e nos fortalecer em nossos princípios. Parece pouco, mas não é. Acredito muito no poder que temos ao nos unirmos em torno de uma ideia.

Para saber mais e ver as fotos das campanhas clique aqui e aqui.


2 comentários:

Angi disse...

oi
prazer,sou nova por aqui!
mto bom seu texto,mto legal seu blog!
um beijo
angi

Dáfni disse...

Sempre fico deprê quando vejo coisas deste tipo. Um dia desses eu vi o vídeo de uma menina imitando claramente as youtubers, fazendo um tutorial de maquiagem e usando a mesma linguagem que elas. Não era natural e, na minha opinião, estimula a criança a achar que só será feliz se tiver seguidores, se fizer vídeos, se for formatada. Horrível, né?

Excelente texto Mimi!

Beijos

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